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Infantas de Portugal que foram Rainhas em Espanha (parte1)

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HISTÓRIAS DE RAINHAS.
Diz o ditado que "de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos".
Esmiucemos um pouco sobre as nossas Infantas que foram Rainhas de Leão, Leão e Castela e depois Espanha. São 11 no total, a saber:
Urraca, Teresa, Mafalda, Constança, Maria, Beatriz, Isabel, Joana, Isabel, Bárbara e Maria Isabel. Hoje vamos falar das primeiras quatro.


Urraca de Portugal - Rainha de Leão




URRACA - Filha de D. Afonso Henriques e Dª. Mafalda de Sabóia, casou com D.Fernando II de Leão. Depois de 5 anos de matrimónio, o Papa desfez o casamento por serem primos de terceiro grau.

Note-se que os casamentos entre parentes eram proibidos até ao sétimo grau, segundo o que foi "decretado" pela Igreja Católica no Concílio de Elvira no século IV. Mas nem sempre foi assim, em várias situações os Papas concediam por motivos políticos, o facto consumado dessas uniões. Naquelas épocas o costume era primeiro casarem-se, e depois esperar pela bula...

Dado que o matrimónio já durava 5 anos e havia um filho dessa união, ainda cá veio um Cardeal com a missão de tentar resolver o problema com honra para todas as partes.

Apesar de Fernando e Urraca terem doado um Castelo à Santa Madre Igreja (para remissão dos seus pecados) com todas as suas rendas para "amaciarem" o Cardeal, o mais que conseguiram foi o Papa reconhecer o filho de ambos Afonso IX, como legítimo herdeiro do trono de Leão.

D.Fernando II ainda casou mais duas vezes, mas a nossa URRACA assim que foi separada, fez-se freira na Ordem de S. João de Jerusalém em Zamora vindo a falecer em 1211 em Valladolid aos 60 anos de idade.


D. Teresa - Rainha de Leão




TERESA - Filha de D.Sancho I e Dª. Dulce de Aragão, casou com Afonso IX Rei de Leão. Voltamos ao mesmo problema da consanguinidade. É que este Afonso era filho da sua tia Urraca, logo seu primo direito e essas uniões, como já vimos, eram proibidas pelo Papa.

A Infanta TERESA, desde cedo mostrava um juízo e uma discrição superiores à sua idade, comportamentos de adulta, assim como dotes e predicados sobrenaturais na alma e compassiva com os mais pobres. Praticava jejuns e devoções.

O seu Avô D.Afonso Henriques, vendo que a sua nora só lhe dava netas, chegou a pensar que seria esta Teresa a suceder ao seu filho Sancho e por isso, chamou-a para o palácio a fim de se ocupar da sua educação. No entanto, quando atingiu a idade de 10 anos, a sua Mãe começou a gerar filhos varões e por isso, viu-se desobrigada das futuras funções reais.

Mas voltemos ao casamento com o seu primo.

Na realidade, Afonso IX ainda tentou casar-se com uma infanta de Castela, a fim de travar os ataques que estes lhe faziam às suas fronteiras. Naqueles tempos, Castela era um Reino dos mais importantes da Península. Como essa união foi recusada, virou-se este para a prima Portuguesa também por questões de seguranças territoriais.

Nada a fazer. Naqueles tempos os casamentos faziam-se em função dos interesses de Estado.

Teresa ainda tentou resistir a esse matrimónio, não porque lhe desagradava o noivo, ( e mesmo que lhe desagradasse, as mulheres com estatuto naqueles tempos, só tinham que obedecer) porque a sua intenção era entrar para a vida religiosa.

Afonso IX que estava em Silves em luta contra os mouros, desloca-se a Guimarães em Fevereiro de 1191 para se matrimoniar com a sua prima Teresa de 16 anos. Essa união entre Portugal e Leão aliviava tensões entre os dois Reinos fronteiriços, ambos em luta contra os mouros e nem sempre de boas relações com Castela.

Depois de consumado o matrimónio, esperavam que o Papa fosse mais brando que o anterior e lhes desse a dispensa necessária. Os reinos do sul da Europa que se ocupavam com a expulsão dos infiéis, tinham forçosamente que fazer alianças entre si, sendo que, a melhor delas eram os casamentos!

Contavam por isso que o Papa, que era agora o Cardeal que tinha vindo tratar da dissolução (ou não) da sua tia Urraca, tivesse isso em conta...mas, nem com 3 filhos nascidos desse enlace, o Papa cedeu.

Por fim, Afonso IX conseguiu matrimoniar-se de novo, desta vez com a tal Infanta de Castela, o qual seria também anulado pelo mesmo problema de consanguinidade.

Quanto a Teresa a residir em Portugal mas em constantes demandas com o seu irmão D.Afonso II por questões de heranças, dedicou o resto da sua vida à Fundação Religiosa de Lorvão, onde viria a falecer em 17 de Junho de 1250.


Mafalda Sanches - Rainha de Castela




MAFALDA - filha de D. Sancho e de Dª. Dulce de Aragão. Casou com Henrique I de Castela.

Primeiro vamos deter-nos um pouco com este POVOADOR que foi D. Sancho porque, no que toca a filhos, há muitas curiosidades. Desde logo ficamos a saber que foi pai de 19 filhos.
11 da Rainha, 2 de Maria Aires de Fornelos e 6 de Maria Pais da Ribeira que ficou conhecida na História por Ribeirinha!

Curioso ainda é que este importante Rei viu 5 filhos da sua vasta prole coroarem-se Rei, Rainhas e Beatas:

- D. Afonso II que lhe sucedeu.
- Infanta Teresa, casou com Afonso IX de Leão.
- Infanta Mafalda, casou com Henrique I de Castela.
- Infanta Berengária, casou com o Rei Valdemar II da Dinamarca.
- 3 Beatas (Teresa, Sancha e Mafalda).

A Infanta Mafalda tinha 3 anos quando a sua mãe faleceu. Julga-se que o cansaço de gerar tantos filhos a enfraqueceu e a peste fez o resto. Essa fatalidade deu-se em 1198 com 38 anos de idade, semanas depois de dar à luz as suas últimas filhas, Branca e Berengária que se supõe seriam gémeas. Em resultado disso, foi necessário que as casas nobres de elevada linhagem as criassem (habitual na época) e desse modo, a nossa Infanta Mafalda acabou por cair no belo regaço de Urraca Viegas de Ribadouro (filha de Egas Moniz, ou neta de D. Afonso Henriques segundo fontes diversas) que, não só a criou como a perfilhou e lhe deixou metade da sua fortuna, onde se incluía o Mosteiro de Tibães.

Voltando aos matrimónios, que é o tema da peça, a Infanta Mafalda viria a casar com Henrique I de Castela mas, dada a pouca idade dos nubentes, principalmente de Henrique que tinha apenas 10 anos (e viria a falecer aos 13) mais a consanguinidade, ( problema recorrente...) o matrimónio foi anulado e a nossa Infanta regressou a Portugal tão virgem como foi.

Viveu depois até 1256 recolhida no Mosteiro de Arouca onde faleceu em 1 de Maio desse ano e é lá que encontra sepultada.

A 27 de Junho de 1793 foi beatificada pelo Papa Pio VI, acompanhando assim aos altares as suas irmãs Teresa e Sancha, já declaradas beatas no início desse século. É festejada no dia 2 de Maio pela Igreja Católica.


Constança - Rainha de Castela




Infanta Constança - Filha de D. Dinis e Dª. Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel) casou com D. Fernando IV de Castela.

A história deste casamento é de muito fácil explicação.
D. Dinis, um dos mais brilhantes Reis que Portugal teve, para além das valências que todos reconhecemos, fazia questão em definir com Castela, as fronteiras entre os dois Países que por sinal, perduram até aos dias de hoje. (com a excepção de Olivença).

Tal acontecimento ficou na história como sendo o Tratado de Alcanizes em 12 de Setembro de 1297, e foi mesmo ali que se tratou da dupla união matrimonial Ibérica, ou seja, os matrimónios da Infanta Constança com D.Fernando IV de Castela, "por palavras de presente" e o da irmã deste, Dª. Beatriz de Castela, com D.Afonso IV irmão de Constânça "por palavras de futuro", já que este casamento viria a efectivar-se em 1309.

Como em 1297 a Infanta Constança contava apenas 7 anos, foi depois desse Tratado viver para casa dos sogros em Castela, e o casamento realizou-se em 1302.
Ela com 12 anos e ele com 17.
Naqueles tempos, 12 anos era a idade em que as "Infantas casadoiras" podiam dar o nó, mas isso não significava que houvesse união carnal. Normalmente, os Reis esperam que as suas jovens esposas atinjam a idade adulta, para que estas dêem filhos ao Reino.
Foi o que aconteceu aqui, porque a primeira filha Leonor nasceu em 1307, quando Constança contava 17 anos feitos.

Gerou mais dois filhos, Constança em 1308 e Afonso em 1311. Este viria a ser o Rei Afonso XI de Castela. Faleceu em 18 de Novembro de 1313 com apenas 23 anos de idade.


Por hoje é tudo. Mas há mais sete histórias para contar...
(Fonte: Marsilio Cassotti/Infantas em Portugal Rainhas em Espanha/distribuidora, Sodilivros S.A.)

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