Portugal Glorioso

Azulejos de Lisboa são um dos 12 tesouros da Europa

   26.1.15     ● 

Os editores e escritores do New York Times foram convidados a eleger os doze tesouros da Europa, tendo por base os países com características especiais. Entre as doze cidades, Lisboa foi escolhida pelos seus azulejos azuis. No artigo, são feitos largos e rasgados elogios a Portugal e aos portugueses, salientando e tornando evidente o que de melhor há no nosso país.

"Haverá país mais azul que Portugal? O céu azul e o Oceano Atlântico abraçam a terra. O humor azul do fado, a melancolia da música, formam a trilha sonora nacional. E por todo Portugal, os típicos azulejos azuis estão espalhados por igrejas, mosteiros, castelos, palácios, paredes de universidades, parques, estações de comboios, hotéis e fachadas de prédios. O resultado é uma embelezada terra de santos cristãos, episódios bíblicos, reis portugueses, glórias históricas, paisagens, design florais e, acima de tudo, motivos geométricos. (...) Simples e pequenos azulejos decorativos custam desde 20€, do século XVIII, e 8€ para azulejos do século XIX. Prepare-se para pagar 50€, ou mais, por azulejos do século XVII e no mínimo 100€ do século XVI. Um nome marcante é Rafael Bordalo Pinheiro, um celebre ilustrador e cerâmico do século XIX cujo trabalho tem sido colecionado pelo British Museum."

Para além de Lisboa ter sido considerada um tesouro da Europa pelos seus azulejos azuis, mais 11 cidades foram distinguidas: Berlim – Arte de Rua; Bruxelas – Chocolate; Budapeste – Paprika; Copenhaga – Design; Florença – Seda; Istambul – Incenso; Londres – Chapéus; Madrid – Guitarras; Paris – Chapéus de chuva; Praga – Brinquedos; Sarajevo – Café.

lxnoticias.pt/noticias
www.nytimes.com/2014/10/19
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A melhor defesa militar da História fica em Portugal

   25.1.15     ● 
Sim, podemos dizer que a melhor defesa (ou complexo de defesas) militar da História, ou pelo menos aquela que foi mais eficaz por ter sido intransponível, fica em Portugal. Provavelmente, quando se fala em grandes e eficazes defesas pensa-se em grandes e altos castelos medievais ou em arrojados e recortados fortes pós renascentistas.

Mas, aquela defesa a que me refiro não se assemelha a nada disso. Falo das Linhas de Torres Vedras, o complexo de fortificações construído para defender Lisboa durante as Invasões Francesas.

Este sistema era constituído por redutos, baterias, paliçadas, taludes e por um magistral aproveitamento do terreno, potenciando ainda mais os obstáculos naturais - os grandes declives e as linhas de água - na sua capacidade defensiva. No fundo, mais do que um majestoso e resplandecente conjunto de muralhas, morro, torres, baluartes e afins, a Linha de Torres Vedras era composta por elementos simples, improvisados - sem grande estética ou beleza -, pouco duráveis - dai pouco hoje sobrar -, mas que permitiam e davam uma confortável vantagem defensiva a quem as ocupasse.

Vantagem tão grande que nunca foi ultrapassada pelo exércitos agressores contra os quais foi construída - os exércitos de Napoleão. Para as Linhas de Torres Vedras foram construídas 152 fortificações, contendo 523 peças de artilharia, munições e outros mantimentos, muitas vias de ligação e sistemas próprios de comunicação - sistema de balões e bandeiras -, tal como sistemas de drenagem de águas e esgotos.


O projecto foi liderado e conduzidos pelos Ingleses - os velhos aliados da nação Lusa -, que vieram, propositadamente, no inicio do século XIX para ajudar no combate aos Franceses, mas executado por mão-de-obra nacional. Parece que foi também incrivelmente barato, tendo em conta o volume, complexidade e celeridade dos trabalhos. Estima-se que tenha custado, à moeda actual, 300.000 euros.

Passados hoje já quase 2 séculos sobre estas construções, que podemos nós aprender dela e por ela para a nossa actualidade? Será que somente com lideranças estrangeiras e força de trabalho nacional conseguimos construir algo barato, funcional e cumprindo os prazos? Bem, penso que não, pois isso seria demasiado pessimista! Mas parece-me que podemos concluir que, trabalhando em equipa, aproveitando os pontos mais fortes de todos os envolvidos e dos recursos disponíveis, tanto ontem como hoje, seremos capazes de feitos consideráveis.


Nota: A grande maioria destas informações foram retiradas do artigo "Adeus, Napoleão! - a defesa mais eficaz da história é Portuguesa" da edição de Novembro de 2010 da revista Super Interessante. O texto do artigo original pode ser consultado, quase na integra, no blogue "Clube de história de Valpaços" em: http://clubehistoriaesvalp.blogspot.com/2011/02/adeus-napoleao.html.
Micael Sousa - blog A Busca pela Sabedoria
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«Sempre que escrevo sobre Sócrates chovem catadupas de insultos» Paulo Morais

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O meu artigo de ontem, A Teia de Sócrates, provocou reacções de apoio, concordância, discordância e também me valeu muitos insultos. Sempre que escrevo sobre Sócrates e os seus desmandos chovem catadupas de insultos. Os insultos são uma expressão própria de quem convive mal com a democracia e tenta limitar a liberdade de expressão de quem atinge os seus interesses.
Comigo este tipo de pressão não resulta. Já deveriam saber.

Paulo Morais
vice-presidente da associação cívica Transparência e Integridade
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Maravilhas de Portugal: Cidade do Porto em Timelapse

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Vídeo promocional da Pictures AWE: filmaking.
Totalmente feito com uma Canon 550D e uma Canon 60D.
Música: The Cinematic Orquestra - To Build a Home
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ALERTA! «A crise foi fabricada pelo clube Bilderberg»

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Cristina Martín Jiménez escreveu o livro O Clube Secreto dos Poderosos, agora editado em Portugal, e onde revela histórias do clube Bilderberg. O livro pretende ser um alerta para que todos os cidadãos não se deixem manipular.


"Parece o argumento para um filme mas trata-se de algo real: o clube Bilderberg, que se reúne há 61 anos, congrega as individualidades mais poderosas do mundo e aqueles que um dia serão altos dirigentes”, afirma a TVI numa reportagem sobre o livro O Clube Secreto dos Poderosos, da jornalista Cristina Martín Jiménez.

Esta sevilhana explica que os membros do Bilderberg “têm o poder como ideologiae implementam “planos secretos para governar o mundo inteiro, destruindo gradualmente as soberanias nacionais e tirando aos países a capacidade de decidir.

Desde o 25 de Abril que os portugueses estão muito alheados do que realmente se passa e muito dependentes dos políticos, que promovem certas pessoas e outras não. A crise terá sido fabricada entre quatro paredes para dar mais poder a quem já o tem.”

“José Sócrates foi ao Bilderberg um mês antes de ser líder do PS e um ano depois ganha as eleições legislativas. Quando eles vêem que alguém se pode destacar chamam-no e, se passar no teste, terá todo o apoio de Bilderberg”, garante Cristina Jiménez, recordando que António Costa é também – tal como Sócrates – outro servo das elites políticas, tendo ingressado no Bilderberg em 2008.

O vídeo acima inclui a entrevista que a escritora deu à revista Sábado.
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«Este ano faço 60 anos» Miguel Esteves Cardoso

   24.1.15     ● 

Aqui vamos nós

Este ano faço 60 anos. Vou dividi-los como se fosse morrer em Julho em quatro períodos de 15 anos. Sem esta histeria melodramática jamais seria forçado a chegar a conclusões.

Nos primeiros 15 anos não se sabe no que se acredita. Tem-se pouca informação. Mas sabe-se, saudavelmente (e dura até à velhice), o que não se quer, que é muita coisa, para não dizer tudo o que existe.

Aos 30 anos, depois de muita informação, sabemos o que queremos e mais: tudo fazemos para que os outros queiram a mesma coisa que nós. Descobrimos a grande verdade e temos pena do resto do mundo, que continua tragicamente iludido.

Aos 45 anos já não nos esforçamos tanto para nos informarmos e desistimos de converter os que não pensam como nós. Aceitamos que não há maneira de pensarmos todos a mesma coisa. Mas dói-nos que assim seja.

Aos 60 anos damos graças a Deus (ou ao suplente secular) por haver tantas maneiras de pensar (e acreditar) diferentes da nossa. O que mais nos comove é a generosidade da dúvida ou a multiplicidade de certezas duvidosas: o que vem dar ao mesmo.

Aos 75 anos, se calhar, percebe-se que a diversidade é apenas um regime de escolhas em que só uma resposta é certa. É verdade, afinal, que quanto mais envelhecemos, mais nos fechamos aos outros, ao exterior e até a nós mesmos.

Aos 90 anos (que correspondem a seis ciclos de 15 anos) tudo isto parecerá uma brincadeira de quem cometeu o erro de falar decisivamente quando estava a dois terços do filme. Ou do fim. Seja.

MIGUEL ESTEVES CARDOSO 24/01/2015
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Paulo Sá que se ponha a pau com a «FERA» do marido da ministra!

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O deputado do PCP Paulo Sá deu uma valente lição à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, explicando, como se ela fosse criança, que os impostos sobre as famílias não vão descer, mas subir este ano. Para tal, e num grande momento, o comunista recorreu a peças de lego.
Mas cuidado Paulo Sá, quem se mete com a Maria Luís, arrisca-se a apanhar do seu 'atrevidote e macho' marido (veja aqui).
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Paulo Morais ARRASA Governos Sócrates e todos os que lhe devem favores

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A teia de Sócrates

Para provar a corrupção dos governos de Sócrates, as autoridades nem sequer teriam de proceder a buscas. No caso das parcerias público-privadas, bastará consultar o Diário da República.


José Sócrates, mesmo preso, continua a ostentar o seu poder. E insiste em chamar à cadeia de Évora, em devota peregrinação, todos os que devem favores à sua governação e que estão na teia da sua influência política.

Enquanto primeiro-ministro, Sócrates usou os poderes que lhe tinham sido delegados pelo povo para beneficiar alguns grupos particulares, nomeadamente na Banca, nas obras públicas e nas parcerias público-privadas (PPP). De tal forma os beneficiou que, para provar a corrupção dos seus governos, as autoridades nem sequer teriam de proceder a buscas. No caso das PPP, bastará consultar o Diário da República. Lá estão as fórmulas matemáticas que garantem rentabilidades milionárias, superiores a 20% ao ano, num negócio de risco zero. Sócrates autorizou ainda pagamentos extraordinários de centenas de milhões sem qualquer justificação plausível. E foi também o seu governo que nacionalizou os prejuízos no BPN, deixando o património aos seus antigos donos.

Não será pois de estranhar que todos aqueles que tenham beneficiado com a estrutura de poder de Sócrates venham agora a responder à sua chamada. Por lá já passaram os concessionários das PPP: da era Sócrates, de Jorge Coelho, presidente da Mota-Engil nos tempos em que a empresa se tornou a maior concessionária rodoviária, até José Lello, então administrador da DST. Também os grandes escritórios de advogados, que urdem a malha legal da corrupção, prestam vassalagem ao ex-chefe do governo, através das visitas de António Vitorino, da Sociedade "Cuatrecasas", ou Tiago Silveira, da "Morais Leitão". Os construtores e promotores imobiliários estiveram representados na visita que Mário Lino fez à prisão acompanhado de Edite Estrela, a autarca que mais favoreceu o imobiliário, quase destruindo Sintra.

Mas não só os representantes do capital peregrinam até Évora. A teia política que Sócrates montou está intacta. José Sócrates requisita a presença e o apoio do fundador do PS, Mário Soares, e do seu actual líder, António Costa. Deputados, autarcas, ex-governantes, todos rumam a Évora em peregrinação, mostrando assim que está nas mãos de Sócrates o destino dos socialistas. Ainda que este destino seja o suicídio do PS.

Paulo Morais
vice-presidente da associação cívica Transparência e Integridade
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Ana Gomes culpa as «politicas erradas» pela adesão dos jovens ao terrorismo!

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Ana Gomes e sheik Munir no debate sobre a "integração e convivência com o Islamismo na Europa", que decorreu no Seixal, organizada pelo PS local.

A eurodeputada Ana Gomes afirmou na sexta-feira que as "politicas erradas" na Europa têm contribuído para que jovens se sintam atraídos para redes terroristas, considerando que Portugal é um país "vulnerável".

"Este é um problema europeu, não podemos fingir que vem de fora. Temos dado motivos para que muitos jovens não tenham enquadramento de vida, valores e oportunidades. É um problema que tem a ver com as políticas erradas que criam condições para que mais jovens se sintam atraídos por redes terroristas",

"Precisamos dos líderes muçulmanos connosco, para dizer aos jovens da Europa que estão com raiva que o Islão não evoca o terrorismo. É errado falar em terrorismo islâmico, porque no caso do IRA também não se falou em terrorismo católico. Estas redes evocam o Islão, mas mais de 60% das suas vítimas são muçulmanos", frisou.

"Em Portugal somos vulneráveis, porque é fácil fazer uma coisa destas no nosso país", disse.
Ana Gomes lembrou que "os 12 portugueses em redes terroristas não eram muçulmanos" e que se converteram a uma "vertente falsa do islão para cometer crimes".

O sheik David Munir, presidente da Comunidade Islâmica em Portugal, também esteve presente e salientou que é preciso ser aceite que os muçulmanos que estão a viver na Europa também são europeus, condenando a formação de "guetos ou bairros para afastar as pessoas".

"Marginalizar é o pior erro, temos que incluir em vez de excluir. Há muita ignorância sobre o Islão e assim até os muçulmanos são mais fáceis de manipular, porque não conhecem. O que muitas vezes acontece em países muçulmanos não tem a ver com o Islão", considerou.

O sheik David Munir referiu que em Portugal a comunidade está integrada, mas ainda são muitas vezes vítimas de vários comentários.

"Em Portugal, não temos esse problema da marginalização, mas algumas vezes somos vítimas dos ignorantes. A comunidade está integrada em Portugal e sabe reagir a provocações", concluiu, partilhando algumas histórias com os presentes.
JN
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«Vejo o PS a suicidar-se alegremente em direcção a Évora» Paulo Morais

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O impacto do caso Sócrates nas eleições
A influência do caso Sócrates no resultado do PS nas eleições foi um dos destaques no debate Fogo Contra Fogo, desta sexta-feira, com Marinho e Pinto e Paulo Morais.
CM
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A ponte mais bonita da Europa é portuguesa

   23.1.15     ● 
A European Best Destinations, organização sem fins lucrativos localizada em Bruxelas, elegeu as 15 pontes mais bonitas da Europa, sendo que duas delas ficam em Lisboa e uma no Porto.


A Ponte 25 de Abril, em Lisboa, lidera a lista agora divulgada pela entidade. Relativamente à obra lisboeta, inaugurada em 1966 e que, inicialmente, se chamava Ponte Salazar, salientam-se as suas semelhanças com a Golden Gate de São Francisco, nos EUA.

Os dois outros lugares do pódio são ocupados pela Tower Bridge de Londres, em Inglaterra, e pela Vecchio de Florença, em Itália.

A Ponte 25 de Abril não é a única obra portuguesa a estar presente na lista divulgada pela European Best Destinations. A 5ª posição é ocupada pela Ponte Luís I (ou D. Luís, como é mais popularmente conhecida), localizada no Porto e considerada, por muitos, como um verdadeiro “ex-líbris” da cidade. Inaugurada em 1886, a ponte é uma obra do engenheiro Théophile Seyring, um dos discípulos de Eiffel.


O 14º lugar é também português e diz respeito à Ponte Vasco da Gama, inaugurada em 1998, e considerada pela entidade promotora da lista como “a mais longa ponte da Europa (incluindo viadutos)”, com um total de 17,2km.


Conheça agora a lista completa e decida quais as pontes que quer visitar e comprovar a sua beleza.

AS 15 PONTES MAIS BONITAS DA EUROPA

1. Ponte 25 de April – Lisboa, Portugal

2. Tower Bridge – Londres, Inglaterra

3. Vecchio – Florença, Itália

4. Bastei – Lohmen, Alemanha

5. Dom Luis – Porto, Portugal

6. Millau – Millau, França

7. Széchenyi – Budapeste, Hungria

8. Rialto – Veneza, Itália

9. Kapellbrücke – Lucerna, Suíça

10. Puente Nuevo – Ronda, Espanha

11. Stari Most – Mostar, Bósnia

12. Fort de Roovere – Halsteren, Holanda

13. Garabit – Ruynes-en-Margeride, França

14. Vasco de Gama – Lisboa

empregopelomundo.com/
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Portugueses Gloriosos: D. Afonso III e o juramento de Paris

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Juramento solene, que fez o Infante D. Afonso, Conde de Bolonha, estando em Paris, de administrar justiça no governo do Reino.

"Todas estas coisas eu, o conde sobredito, cumprirei, ressalvando meu direito, e do reino de Portugal, de tal modo, que tudo o que fica dito permaneça estável, e firmemente, e se guarde, e cumpra em tudo, e por tudo."

A morte prematura de Afonso II e a incapacidade política de Sancho II haviam exposto o poder e o país à desintegração e justificado o apelo ao infante Afonso.
Este, morto seu irmão Sancho II pouco depois de 3 de Janeiro de 1248, tornou-se o titular legítimo do trono português.
 Após prolongada época de desorganização e violência que atravessou todo o reinado anterior, a maioria dos homens desejava, acima de tudo, a paz e segurança. Por isso se entende que, da conjuntura de discórdia, de tendência para a insurreição contra a autoridade régia, tenha decorrido num processo de afirmação dessa autoridade.
A guerra, ao mesmo tempo que enfraqueceu os adversários e criou um desejo de paz, encorajou a implantação de uma autoridade forte e, em última análise, facilitou o desenvolvimento do aparelho de Estado.
Com efeito, sobre a difusão das estruturas feudo-vassálicas decorrente da discórdia, Afonso III irá reorganizar e reconstituir o seu poder.
O juramento de Paris de 1245 já se afirmava como um programa político: manutenção da paz no reino, submissão incondicional ao direito e aos costumes e exercício da justiça, adoptando uma atitude vigilante contra os que quisessem introduzir novidades e restabelecendo o equilíbrio quando estivesse comprometido.
Revelava já a consciência de que assegurar a paz e a justiça internas era afirmar a autoridade régia.

   «A todos os que esta escritura virem, mestre João, capelão do senhor papa e deão da Igreja Carnotense, mestre Lucas, deão, mestre Pedro, chanceler de Paris, Pêro Garcia, tesoureiro de Braga, Soeiro Soares, chantre de Frei Pedro de Pictavia, custódio da Casa dos Frades Menores de Paris, frei Henrique Teutónico, frei Martinho de Valentinis, frei Pedro Afonso Espanhol da Ordem dos Pregadores, frei Domingos Bracarense da Ordem dos Menores, Rui Gomes de Briteiros e Gomes Viegas, cavaleiros, Pedro Honórico e Estêvão Enes, varões nobres, camareiros de D. Afonso, conde de Bolonha, saúde no Senhor.

Haveis de saber que o ilustre varão D. Afonso, conde de Bolonha, e filho de D. Afonso rei de Portugal de ínclita memória, estando em nossa presença, jurou aos Santos Evangelhos, em que pôs sua mão, dando-lhe o juramento o venerável padre D. João, Arcebispo de Braga, em seu nome, João Martins, capelão do venerável padre D. Tibúrcio, bispo de Coimbra, em nome do dito bispo, que o mandou para este efeito com seu selo, não podendo assistir por causa da enfermidade, na forma seguinte:
Eu D. Afonso, conde de Bolonha, filho de D. Afonso de ilustre memória rei de Portugal, prometo, e juro sobre estes Santos Evangelhos de Deus, que por qualquer título que alcançar o reino de Portugal, guardarei, e farei guardar a todas as Comunidades, Conselhos, Cavaleiros, e aos povos, aos Religiosos, e Clero do dito Reino todos os bons costumes, e foros escritos, e não escritos que tiveram em tempo de meu avô [D. Sancho I], e de meu Bisavô [D. Afonso Henriques]: e farei que se tire todos os maus costumes, e abusos introduzidos por qualquer ocasião, ou por qualquer pessoa, em tempo de meu pai, e irmão [D. Sancho II], e particularmente, quando se cometer homicídio, que se não leve dinheiro aos vizinhos do morto, mormente quando é manifesto quem foi o matador. 

Também farei quanto for em minha mão, que por todo o reino se ponham juízes justos, e tementes a Deus, conforme o eu melhor alcançar, e se elegerão ou por votos do povo, ou de outro modo lícito e conforme à Lei de Deus, e não por dinheiro, ou por opressão dos povos, ou por valia de algum poderoso senhor da mesma terra; e o que sair eleito tratará de fazer justiça inteiramente a todos os de seu distrito, segundo Deus, e sua consciência sem haver excepção de pessoas, e para este fim se mandará tirar inquirição todos os anos do procedimento dos juízes, e se algum se achar culpado, será castigado, segundo suas culpas merecerem.

Da mesma maneira darei ordem que se faça justiça de qualquer homicida, em especial daqueles que por si ou por outrem prendem, roubam, matam, ferem clérigos ou religiosos, e a pena destes será tal, que fique aos demais para exemplo.

Defenderei também, empararei, com particular cuidado conservarei ilesos os mosteiros, lugares pios, clérigos, religiosos, suas fazendas, possessões quanto me for possível: restituirei, e farei que se lhe restitua tudo o que até agora se lhe tem mal levado, seja quem quer que for o injusto defensor, invasor ou roubador.

Dar-se-lhe-á satisfação dos danos e injúrias que por quaisquer modos lhe são feitos por quaisquer pessoas, ou se chamem padroeiros ou herdeiros: conforme o que melhor julgarem convir à paz e quietação do Reino o arcebispo de Braga, o bispo de Coimbra, e os outros prelados, religiosos, e mais homens bons, que não forem suspeitos, nem culpados.

Mandarei que se ponham por terra as quintas, e casas feitas de novo por quaisquer pessoas em tempo de meu Irmão D. Sancho, que são em prejuízo de outros, e principalmente das igrejas, mosteiros, e mais religiosos, sem lhe valer o tempo que há que são feitas.

Também prometo que defenderei as igrejas, e mosteiros, especialmente daqueles que por seus delitos, ou de seus pais, têm perdido juridicamente o direito do padroado das mesmas igrejas, tanto que disto me constar por relação dos bispos daqueles lugares.

Prometo evitar todos os excomungados que me constar que o são, e se os tais e mostrarem contumácia, e permanência naquele mau estado, depois de os ter privados das mercês que de mim tiverem, lhes darei ainda maior castigo, conforme o arbitrarem os prelados, e deve fazer todo o príncipe cristão.

De conselho dos mesmos prelados se taxará também pena àqueles que penhoram, ou fazem injúrias aos que os excomungam, e sem haver aqui aceitação de pessoas, se dará a execução o castigo, pois convém preparar novos remédios para novos males.

Mais prometo de não receber colheitas em quantidade de dinheiro certo, nem maiores do que meu avô recebia, e isto só uma vez no ano. E quando passar pelos lugares aonde pagam, o farei com brevidade, e guardarei o que neste particular deixou ordenado o senhor papa Gregório IX a instância do arcebispo de Braga, e farei que em todo o reino os meus vassalos o cumpram.

Emendarei também, e procurarei com todas minhas forças que se emende, segundo julgarem os prelados, respeitando o estado do reino, e a quietação dele, todos os males que até agora se fizeram em Portugal, e não permitirei que daqui em diante se cometam sem castigo; dos quais trata o decreto do papa Inocêncio IV dirigido a mim, e aos prelados, comunidades, e mais pessoas do reino.

Também prometo de cumprir, e tratar fielmente, quanto me for possível, o governo, e administração do Reino, e mais coisas para que sou eleito; e farei que se exercite justiça com todo cuidado: que não prevaleça a ousadia dos maus, que a cada um seja dado o que é seu, sem haver nisto respeito a grandes ou pequenos, pobres ou ricos.

Serei mais obediente sempre, e devoto à igreja romana minha mãe, como convém a príncipe católico tratarei com todo meu poder de a honrar, e exaltar, sem haver nisto dúvida, ou engano.

Em todos os negócios que tocarem ao estado do reino, pedirei também o conselho dos prelados, ou daqueles que sem dificuldade puderem ser chamados; e nisto não haverá engano. Porém, por este segredo, ou conselho não entende o arcebispo, e bispos, que o conde será obrigado quando houver de fazer aos seus mercê de terras ou dinheiro, pedir o parecer dos prelados, que nisto seguirá o que vir é mais acertado, e assim lho concedem os mesmos prelados.

Todas estas coisas eu, o conde sobredito, cumprirei, ressalvando meu direito, e do reino de Portugal, de tal modo, que tudo o que fica dito permaneça estável, e firmemente, e se guarde, e cumpra em tudo, e por tudo.
Por tanto nos outros em testemunho das cousas sobreditas, e petição do mesmo conde, e do arcebispo de Braga, e bispo de Coimbra tivemos por bem de pôr nossos selos na presente escritura.»

E nós frei Pedro Afonso de Espanha, e frei Domingos de Braga, e Gomes Viegas, cavaleiro, porque não temos selos próprios, aprovamos a confirmação dos selos sobreditos. Foi feita em Paris em casa do chanceler da mesma cidade a oito dos idos de Setembro, que é a seis do próprio mês do ano do Senhor de 1245.

Fonte; O Portal da História
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«Eu sou mais Charlie do que tu»

   22.1.15     ● 

Não é a vida que é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, e desprovida de significado. É o facebook. Apesar de não ter facebook, vou acompanhando o som e a fúria através das reacções das pessoas que têm. No caso do Charlie Hebdo, contei quatro fases de agitação sonora e furiosa, a saber:

1. Eu sou Charlie;

2. Eu sou mais Charlie do que tu;

3. Eu era Charlie, mas não quero ser Charlie com quem não é Charlie;

4. Eu não sou Charlie.

A primeira reacção é previsível e normal. Morreram doze pessoas por causa da publicação de desenhos satíricos. Parece--me natural que pessoas decentes se solidarizem com as vítimas de um crime destes, indo ao ponto de lhes tomarem a identidade. Até eu, que sou decente apenas se não puder evitá-lo, o fiz. Confesso que nunca comprei o Charlie Hebdo, nunca o referi como referência humorística e nem sou apreciador do jornal. Ao que tenho visto, sou o único. Ainda assim, disse - e repito: eu sou Charlie. Posso fazê-lo? Posso, posso. Não preciso de ter a assinatura do jornal em dia. De igual modo, em Setembro de 2001, quando dissemos "somos todos americanos", ninguém veio pedir-nos o passaporte. Se para ser Charlie é necessário ter a coragem dos cartunistas que morreram, então ninguém no mundo está habilitado a ser Charlie - tirando, talvez, Salman Rushdie e mais duas ou três pessoas.

Também por isso, a segunda fase foi muito divertida. Consistiu num campeonato para apurar quem é mais Charlie. Alguns auto-investidos Charlies reclamaram-se proprietários do luto, herdeiros de um legado que aliás desconhecem e porta-estandartes de uma coragem que não têm nem precisam de ter. Estes Charlies gritaram que só não eram Charlies praticantes porque os poderes instituídos não deixam, recusando-lhes o acesso aos meios de comunicação social. Não lhes ocorreu que o Charlie Hebdo não contava com os poderes instituídos para nada. E que não têm o direito inalienável ao acesso aos meios de comunicação social. E que há uma diferença bastante sensível entre não ter acesso aos media e ser executado com um tiro na nuca. E que é feio aproveitar a morte de 12 desgraçados para tentar arranjar um emprego. E que, hoje em dia, nada os pode impedir de se exprimirem e serem plenamente Charlies na internet, por exemplo.

A terceira fase foi a dos hipsters do Charlie. Isto de sermos Charlie foi giro no início, mas agora está muito visto. É uma solidariedade à condição, que vai diminuindo à medida a que a dos outros aumenta. E essa fase abriu caminho para a última, que fechou o ciclo. Agora é cada vez mais frequente a declaração "Não sou Charlie". Jean Marie Le Pen foi dos primeiros: "Não sou Charlie porque eles eram anarco-trotskistas e eu não sou." Para que Le Pen se identifique com as vítimas, temos de esperar até que os terroristas matem um cartunista idiota.

Ricardo Araújo Pereira
visão
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