Os ricos cada vez mais ricos - Top 10 dos portugueses mais ricos

29.7.15
Os 25 portugueses mais ricos, com o empresário da cortiça Américo Amorim no topo, concentram 8,5% da riqueza nacional e viram a sua fortuna crescer para 14,7 mil milhões de euros em 2015.



O Top 10 dos portugueses mais ricos.


A lista anual dos 25 mais ricos de Portugal é elaborada há 11 anos pela Exame e será publicada na edição de agosto da revista que chega às bancas na quinta-feira.

Américo Amorim, que foi o homem mais rico do país em 2008, 2009, 2010 e 2011, regressando ao primeiro lugar em 2013, mantém-se na mesma posição, com uma fortuna avaliada em 2,5 mil milhões de euros.

O dono da Corticeira Amorim ficou, no entanto, mais pobre, pelo segundo ano consecutivo, contrariando a tendência do "top 25" dos milionários, que enriqueceram ainda mais em 2015 face ao ano anterior, quando somavam 14,3 mil milhões de euros.

Os patrões da grande distribuição, Alexandre Soares dos Santos (Jerónimo Martins) e Belmiro de Azevedo (Sonae) e a família Guimarães de Melo estão igualmente entre os mais ricos dos ricos.
Soares dos Santos ocupa o segundo lugar, mas viu a sua fortuna aumentar 100 milhões de euros, para quase 1,8 mil milhões, graças à valorização das ações da dona do Pingo Doce.

Belmiro de Azevedo, que já foi o homem mais rico de Portugal, viu igualmente a sua fortuna bolsista subir 100 milhões para quase 1,4 mil milhões de euros, mantendo-se no terceiro lugar do 'ranking'.

Os Guimarães de Mello são a família mais rica e mantiveram a fortuna de 1,2 mil milhões de euros, com os investimentos no Grupo José de Mello, Brisa, CUF, Efacec e EDP.
Na lista dos 10 mais ricos surge apenas uma mulher, Maria Isabel dos Santos, uma das principais acionistas da Jerónimo Martins.

Detentora de cerca de 10% da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, dona da Jerónimo Martins, ocupa o 9.º lugar do ranking, com uma fortuna de 448 milhões de euros, e enriqueceu face ao ano anterior.

António Mota e as irmãs saíram da lista dos 10 mais ricos devido à queda da cotação da Mota-Engil que os atirou do sexto lugar do ranking do ano passado para 17.º lugar em 2015.

O presidente da Simoldes, António da Silva Rodrigues, protagonizou a maior subida do 'ranking', de 9.º para 5.º lugar, com uma fortuna calculada em 967 milhões de euros, enquanto o "patrão" dos hotéis Pestana, Dionísio Pestana, entrou diretamente para o "top 10".

A Exame faz o levantamento do património empresarial usando todas as fontes disponíveis, como relatórios e contas (de 2013 e 2014), entrevistas de gestores e 'sites' das empresas, aplicando depois diferentes métodos, conforme as empresas em apreciação.


Segue-se a lista completa dos "top 10" do ranking

1. Américo Amorim: 2484,2 milhões de euros (3298,3 milhões de euros no ranking anterior, que já liderava)

2. Alexandre Soares dos Santos: 1763,2 milhões de euros (vs. 1634,6 milhões de euros no ranking anterior, quando já era segundo)

3. Belmiro de Azevedo: 1382,5 milhões de euros (vs. 1225,8 milhões de euros no anterior, quando já estava em terceiro lugar no ranking)

4. Família Guimarães de Mello: 1189,4 milhões de euros (vs. 1224,8 milhões de euros, quando já estava em quarto no ranking)

5. António da Silva Rodrigues: 967 milhões de euros (vs. 762 milhões de euros, a maior subida do ranking, de 9.º para 5º)

6. Família Alves Ribeiro: 663 milhões de euros (contra 1078,5 milhões de euros, caindo do quinto lugar)

7. Fernando Campos Nunes: 539,2 milhões de euros (contra os 400,9 milhões de euros, quando estava em décimo lugar)

8. Dionísio Pestana: 506,6 milhões de euros (entrada direta no top 10 de 2015)

9. Maria Isabel dos Santos: 448 milhões de euros (vs. 429 milhões de euros anteriores)

10. Fernando Figueiredo dos Santos: 448 milhões de euros (contra 429 milhões e 8.º lugar)


reportagem
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Lagos: Vista aérea de uma das mais belas regiões do mundo


Devido à sua localização, Lagos tornou-se um ponto central para os Descobrimentos Portugueses
Imagens aéreas de uma das mais bonitas regiões do mundo. Lagos - Algarve - Portugal




Lagos é uma cidade portuguesa do Distrito de Faro, região do Algarve. O município é limitado a norte pelo município de Monchique, a leste por Portimão, a oeste por Vila do Bispo, a noroeste por Aljezur e a sul tem litoral no oceano Atlântico. Lagos está historicamente ligada aos Descobrimentos Portugueses, sendo hoje um dos mais atractivos centros turísticos do Algarve, com praias e património de excepção e vida nocturna de grande dinamismo.

A primeira localidade na região de Lagos, chamada de Laccobriga ou Lacóbriga, foi fundada cerca de 2000 anos antes do Nascimento de Cristo pelos cónios. Esta localidade foi subsequentemente ocupada por Cartagineses, Romanos, povos bárbaros, muçulmanos e finalmente reconquistada pelos cristãos no Século XIII.

Devido à sua localização e importância económica, Lagos tornou-se um ponto central para os Descobrimentos Portugueses, a partir do Século XV; em 1573, foi elevada a cidade pelo rei D. Sebastião, passando a ser a capital do Reino do Algarve, posição que manteve durante o Domínio Filipino. Em 1755, quando foi devastada pelo tsunami que também devastou Lisboa, a capital provisória passou para Loulé e depois para Faro onde ainda se mantém. No Século XIX, participou activamente nas Invasões Francesas e na Guerra Civil Portuguesa , tendo conseguindo retomar alguma importância económica, com a introdução das primeiras indústrias a partir de meados do século.
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Quem são as figuras no Padrão dos Descobrimentos

Em Belém, reergueu-se o Padrão dos Descobrimentos em betão revestido de pedra rosal de Leiria, no decorrer das Comemorações do 5º Centenário da Morte do Infante D. Henrique. O monumento foi inaugurado a 9 de Agosto de 1960.

O edifício primitivo do Padrão dos Descobrimentos que Cottinelli Telmo esboçou e Leitão de Barros e Leopoldo de Almeida deram forma mental e plástica, foi erguido em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português. Originalmente, era constituído, na sua parte arquitectónica, por uma leve estrutura de ferro e cimento, sendo em estafe a composição escultórica formada por 33 figuras, tendo como figura máxima o Infante D. Henrique.

Lado Este...  



Lado Oeste   



Rosa dos Ventos do Padrão dos Descobrimentos.


Foi a República da África do Sul que ofereceu, para decoração do terreiro de acesso ao Padrão dos Descobrimentos, uma Rosa-dos-Ventos com 50 metros de diâmetro, executada em cantaria de calcário liós negro e vermelho., contendo um planisfério de 14 metros. Naus e caravelas embuídas, marcam as principais rotas da expansão Portuguesa. A autoria do desenho pertence ao arquitecto Cristino da Silva (1896-1976). - guiadacidade


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O mito do colesterol - Medidas para reduzir o risco cardiovascular

26.7.15

O mito do colesterol. 

Se o aumento da taxa de colesterol é um meio que o organismo encontra para se proteger, então baixar a sua taxa com medicamentos não parece boa ideia.





Na luta contra as doenças cardiovasculares, sempre que se pensa em arteriosclerose é admitido, desde há muito tempo, que o culpado é o colesterol que se vai depositando nas artérias, entupindo-as progressivamente a uma velocidade proporcional ao seu nível no sangue. Ora a verdade é que esta teoria não repousa em nenhum dado científico bem sustentado.

Na realidade, não só a investigação comprova que três quartos das pessoas que têm o primeiro ataque cardíaco têm níveis normais de colesterol, como estudos recentes indicam que os tratamentos, em muitas situações, acabam por ser bem mais nocivos.

Reportando-nos exclusivamente aos problemas cardiovasculares, têm-se negligenciado muitas vezes a importância dos numerosos efeitos secundários provocados pelos tratamentos para baixar o colesterol, essencialmente perda de memória, fraqueza muscular e ligamentosa, impotência sexual e diabetes tipo2, alterações digestivas e hepáticas, dores de cabeça, edemas, vertigens, alterações cognitivas e alergias cutâneas.

No caso das estatinas, drogas que bloqueiam, no fígado, a enzima responsável pela produção do colesterol, essencial para a nossa sobrevivência, talvez nos dias que correm os medicamentos que mais se vendem em todo o mundo, utilizadas para baixar o colesterol total e a fracção LDL do colesterol, (sendo que este último, embora não seja mais que um transportador do colesterol do fígado, onde ele é fabricado, para os tecidos que dele têm necessidade é considerado ridiculamente “mau colesterol”, em contraponto com a fracção HDL, considerada “bom colesterol”, outro mero transportador do mesmo colesterol, dos tecidos que o utilizaram, para o fígado - a sua central de fabrico e reciclagem), o risco de diabetes e obesidade resultante da sua toma foi ainda há pouco tempo denunciado pela comunidade científica.

Assim, em Março de 2012 a Agência Europeia do Medicamentos (EMA) reconheceu a gravidade do efeito diabetogénico das estatinas e recomendou aos laboratórios que os seus efeitos secundários passem a ser claramente anotados nas normas de utilização, norma que, parece, nem sempre cumprida.

Mas não é tudo. Começa a aparecer cada vez mais evidência mostrando que as estatinas pioram também a saúde cardíaca, revelando não só que não seguras como também não são muito eficazes. Um estudo recentemente publicado, revelou, em contraste com o aquilo que é hoje comummente aceite (a redução do colesterol com estatinas diminuem a arterioesclerose), que estas drogas podem, pelo contrário, estimular a arteriosclerose e a insuficiência cardíaca (Expert Review of Clinical Pharmacology.2015 Mar;8(2):189-99).

Alguns mecanismos fisiológicos discutidos no estudo mostraram que as estatinas podem piorar a saúde do coração de várias formas:

- Inibindo a função da vitamina K2, necessária para proteger as artérias da calcificação;

- Danificando a mitocôndria, prejudicando a produção de ATP (responsável pela energia do músculo cardíaco).

- interferindo com a produção de CoQ10, como se referirá mais adiante;

- O mesmo com proteínas contendo selénium, tais como a glutationa peroxidase, cruciais para prevenir o dano oxidativo do tecido muscular.

Considerando todos estes riscos, os autores concluíram que “as epidemias da insuficiência cardíaca e arteriosclerose, quais pragas do mundo moderno, podem ser paradoxalmente agravadas pelo uso difuso de estatinas. Nós propomos que os correntes manuais de tratamento com estatinas sejam criticamente reavaliados”.

No que diz respeito às doenças cardiovasculares, em que o colesterol teima em aparecer como o mau da fita, há uma grande incerteza sobre as suas causas e têm surgido as teorias mais contraditórias.

Sabe-se que aquilo a que se chama “placa” ateromatosa, que reduz o diâmetro das artérias, é principalmente constituída por células compostas pelo tecido muscular liso das artérias (proliferarando anormalmente), cálcio, ferro e colesterol, sendo este minoritário, funcionando como um curativo qual penso reparador do desgaste provocado pela inflamação da parede das artérias, esta sim a verdadeira má da fita nesta questão da formação da placa ateromatosa e da consequente arteriosclerose. Daí a importância do seu biomarcador – a PCR (Proteína C Reativa) – estar abaixo de 0,5. Quem o tem abaixo deste valor pode comer gorduras à vontade.

Sendo assim, se o aumento da taxa de colesterol é um meio que o organismo encontra para se proteger, então baixar a sua taxa com medicamentos, estatinas ou quaisquer outros, não parece boa ideia.

Se as taxas estiverem elevadas, tal deverá ser sempre considerado como um problema essencialmente de estilo de vida, que se corrigirá, prioritariamente, modificando o comportamento e a alimentação (de relevar a toma diária de 3 gramas diários de Ómega 3).

As únicas pessoas que podem tirar partido das estatinas são as que sofrem de hipercolesterolémia familiar, uma doença rara que dá uma taxa elevada de colesterol (para cima de 330) qualquer que seja a alimentação e o modo de vida. Se se tiver que as tomar, dever-se-á tomar também CoQ10 ou ubiquinol, co-enzimas também anti-oxidantes cuja produção está igualmente bloqueada pelas estatinas.


Para reduzir o risco cardiovascular, as melhores medidas a tomar são:


- Substituir a alimentação industrial, transformada e artificial, por alimentos frescos pouco cozinhados, se possível biológicos, cultivados localmente;

- Aumentar o consumo de gorduras boas para a saúde como o abacate, peixes gordos, ovos biológicos inteiros, gordura de noz de coco, nozes, amêndoas, avelãs e azeite, de forma que o rácio entre o ómega 3 e o ómega 6 ande entre 1/1 e 1/5 (e não 1/20 como acontece com a actual alimentação ocidental);

- Optimizar a ingestão de cálcio, magnésio, sódio e potássio, optando sempre que possível por legumes biológicos;

- Monitorar a taxa de vitamina D optando pela exposição ao sol – conseguir-se-ão níveis óptimos com uma exposição de 20 minutos em pelo menos ¾ partes do corpo -, acompanhada de vitamina K2 para evitar a calcificação das artérias;

- Restaurar os níveis hormonais, principalmente da testosterona, com hormonas bio-idênticas;

- Parar de fumar e não beber mais de um copo de vinho tinto por dia;

- Fazer exercício físico regularmente;

- Cuidar da higiene bucal e dentária – as pessoas com má higiene da sua boca têm 70% de risco de desenvolver uma doença cardíaca em contraponto com as pessoas que lavam os dentes pelo menos duas vezes por dia;

-Evitar as estatinas (salvo no caso da hipercolesterolémia familiar), que fazem baixar as taxas de colesterol artificialmente, sem esforço, mas com o risco de numerosos efeitos indesejáveis, como se referiu.

- Melhorar a sensibilidade à insulina – para tal optar por um regime com índice glicémico baixo como a batata-doce (melhor que a batata), o mel (melhor que o açúcar), as leguminosas como as ervilhas, os feijões e as favas (melhor que os cereais).

Com esta finalidade, considerar também o ácido alfa-lipóico (400 mg/dia).


O colesterol é uma molécula natural produzida 70% pelo organismo, principalmente pelo fígado, (os restantes 30% provêm dos alimentos), que o utiliza como um verdadeiro cimento: ao nível dos músculos, para os reparar quando estão fragilizados depois dum exercício físico; ao nível do cérebro, para ajudar os neurónios a melhor comunicar entre si; ao nível das artérias, para as reparar quando são lesadas.

Ele é uma das substâncias mais importantes, não só indispensável à regeneração das células e à formação das suas membranas, à metabolização de vitaminas como a A, D, E e K, à produção de ácidos biliares importantes na digestão das gorduras, essencial, como se disse, para o cérebro (contém cerca de 25 % de todo o colesterol do corpo, sendo critico na formação das sinapses que permitem o pensamento, a aprendizagem e a formação da memória) como à síntese de hormonas tão vitais para a nossa existência como as hormonas sexuais – testosterona, progesterona e estrogéneo (há quem considere que ter taxas de colesterol elevado a partir dos 65 anos é sinal de longa vida e de virilidade...), as hormonas do stress – glucocorticóides como o cortisol, e à mais importante de todas – a vitamina D, como as hormonas sexuais ela também uma hormona esteróide, sendo que uma pele com níveis insuficientes de colesterol não é capaz de a produzir.

MANUEL PINTO COELHO
Médico, doutorado em Ciências da Educação e diplomado em medicina anti-envelhecimento
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«Nem Grécia nem Portugal têm hipóteses de ficar no euro»

25.7.15
Economista João Ferreira do Amaral defende que a Europa está a cometer um grande erro na gestão da crise e acredita que Portugal será a próxima vítima.


João Ferreira do Amaral 


João Ferreira do Amaral diz que "a Grécia não tem condições para estar [no euro] e a seguir seremos nós".

No programa "Olhos nos Olhos", o economista considera que nenhum dos países tem condições para permanecer na moeda única e explica porque é que Portugal pode ser o próximo a estar no "olho do furacão".

"Quando também se verificar que nós manifestamente também não temos condições nomeadamente para cumprir o pacto orçamental e que não temos condições até de sustentabilidade demográfica do país", explica o responsável.

Ferreira do Amaral aponta ainda dois ingredientes explosivos para o caminhar para o abismo:

"Para além de estarmos a perder a sustentabilidade demográfica, aparentemente somos o país com maior taxa de imigração, a seguir a Malta, e como já temos uma população muito envelhecida isso vai além de tudo mais contribuir fortemente para um envelhecimento mais rápido da população.
E depois não é só a questão da segurança social, é toda a sociedade que começa a ter disfunções graves", explica.

O economista defende que estão a ser cometidos "erros gravíssimos na gestão da crise", tais como fazer um pacote juntando as duas coisas, pelo menos para Portugal e Grécia. E ao misturar as duas coisas criou-se uma mistura explosiva que acaba por desorganizar completamente a economia e tornar muito mais difícil a consolidação orçamental.
Se a consolidação orçamental tivesse sido a prioridade penso que seria perfeitamente possível ter-se um programa de 5, 6 anos de redução do défice, sem nenhuma perturbação grave da economia, reduzindo-o paulatinamente e gradualmente".

Ferreira do Amaral conclui pintando um cenário negro: "ao misturar a desvalorizaçao interna torna-se praticamente impossível fazer isso porque automaticamente os rendimentos descem, a procura interna desce, a produção desce, obviamente aumenta o desemprego, aumentam as despesas do desemprego, reduzem-se os impostos e as contribuições para a segurança social e está o caldo entornado".
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Gregor Gysi arrasa Schäuble no Parlamento alemão: «A sua política é anti-democrática»

22.7.15
Gregor Gysi arrasa Schäuble no Parlamento alemão.


«A Alemanha precisa mais do euro que a Grécia. E o senhor silencia isto, senhor Schäuble.
A sua política é anti-democrática. O senhor nega em absoluto a decisão do povo na Grécia e diz à população grega: ela pode decidir o que quiser, que o Sr. Schäuble decide no fim que as coisas se hão-de passar de outra maneira.

O cúmulo da humilhação: o senhor quis transformar a Grécia numa nova Alemanha de Leste. Quis entregar a propriedade pública e o tesouro grego a uma Treuhandanstalt [nome da organização que assumiu a administração das empresas da antiga Alemanha de Leste e as privatizou com prejuízo] com sede no Luxemburgo. Só com a diferença, caro Sr. Schäuble, que, ao contrário da antiga Alemanha de Leste, a Grécia não se tornará parte da Alemanha. E além disso a Treuhand não obteve nenhuma libertação e arrasou até mesmo as empresas que produziam alguma coisa.

Depois da Primeira Grande Guerra, a Alemanha foi obrigada a pagar 132 mil milhões de marcos de ouro em indemnizações - em dinheiro actual são 700 mil milhões de euros. Em 1953 teve lugar em Londres a conferência sobre a dívida alemã e nessa altura houve um corte na dívida. Fomos dispensados de 50% das indemnizações. E houve uma prorrogação em relação ao pagamento dos juros - nomeadamente até à reunificação alemã.

E a partir de 1990 tivemos que recomeçar a pagar. E pagámos a última prestação em Outubro de 2010. Chego a três conclusões:

1. Tivemos 92 anos para pagar.

2. Tivemos direito a um corte de 50%.

3. Tivemos direito a uma prorrogação de 37 anos. Não devíamos, eventualmente, reflectir sobre isto em vez de fingir que superámos tudo o que está para trás na nossa História?»


vídeo do discurso
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Os deputados que agora cessam funções não deixam saudades

21.7.15
Par(a)lamentar.

Não dignificaram o mandato, esqueceram a sua função, a de legislar em função dos interesses do povo. São politicamente irrelevantes, estão submissos aos interesses económicos.




A legislatura chega ao fim. Na próxima semana, terá lugar no Parlamento a última sessão do Plenário. Os deputados que agora cessam funções não deixam saudades. Não dignificaram o mandato, esqueceram a sua função, a de legislar em função dos interesses do povo. São politicamente irrelevantes, estão submissos aos interesses económicos.

Não serviram a Nação que os elegeu. Várias dezenas de deputados estão ligados aos principais grupos económicos. Deste modo, usam a cadeira do Parlamento para beneficiar de informação privilegiada. Neste período, a promiscuidade foi regra, com vários casos de deputados em total conflito de interesses. Exemplos: Miguel Frasquilho integrava o BESI (do grupo BES), que assessorava os interesses chineses na aquisição de capital da EDP e, simultaneamente, fazia parte da comissão parlamentar que fiscalizava o processo; Paulo Mota Pinto representa os interesses da família de José Eduardo dos Santos e, ao mesmo tempo, tutela os serviços de informação, as Secretas! E por aí adiante.

Envolvidos em tantos negócios, os deputados de maior peso político parecem depois não ter tempo para legislar; razão pela qual as Leis de maior importância económica são elaboradas nas grandes sociedades de advogados. Estas firmas dominam a produção legislativa, substituem-se ao Parlamento. Além do mais, facturam milhões em pareceres a explicar essas mesmas leis.

Os deputados nem sequer exercem o mandato com dignidade. Aceitam a disciplina partidária de forma acrítica. Os da maioria aprovam tudo o que o Governo lhes ordena; os das restantes bancadas são correias de transmissão das direcções partidárias. Com este comportamento, os deputados violam até a Constituição, que determina, no seu artigo 155º, que "os deputados exercem livremente o seu mandato".

Com este balanço lamentável, é com alívio que vemos a saída destes deputados. Venham outros, que respeitem o serviço público e a democracia. Precisamos urgentemente de um Parlamento que não envergonhe o País.

Paulo Morais
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